Alimentos: Mundo vai encarar nova alta de preços, diz FAO – 05/08/2026 – Economia

Mulher com blusa vermelha escolhe produtos na seção de hortifrúti de supermercado. Ao fundo, homem caminha próximo a geladeiras com bebidas e alimentos congelados, sob letreiro

O economista-chefe da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), Maximo Torero, afirmou nesta quarta-feira (5) que o mundo está à beira de mais uma onda de inflação dos preços dos alimentos, já que as guerras no Irã e na Ucrânia, somadas ao El Niño, criam uma tempestade perfeita de aumento dos custos e redução na produtividade das safras.

Os preços dos alimentos foram um dos principais fatores por trás do aumento da inflação global em 2022, mas têm se mantido relativamente moderados neste início de ano, chegando até a amenizar, em alguns lugares, o aumento causado pelos altos custos da energia.

No entanto, é provável que essa calmaria seja temporária, já que os preços mais altos do petróleo, a falta de fertilizantes da região do golfo Pérsico, a escassez de diesel em algumas partes do mundo e os fenômenos climáticos extremos estão se refletindo nos custos e aparecerão nos preços ao consumidor, mesmo que com algum atraso.

“Espero que os preços das commodities comecem a subir mais agora… e que os preços dos alimentos comecem a subir até o final do ano; no próximo ano, com certeza, eles subirão ainda mais”, avaliou Torero em entrevista à agência de notícias Reuters.

“O tempo de repasse da commodity para o preço final dos alimentos é de cerca de três a seis meses”, recordou para justificar a demora para refletir o impacto da guerra do Irã, que começou em 28 de fevereiro.

Embora os preços de algumas commodities, como o trigo, o milho e o arroz, tenham subido nos últimos meses, a maioria ainda reflete safras relativamente boas, em vez de possíveis dificuldades no próximo ano.

“O estreito de Hormuz é um problema que afeta todos os insumos das commodities agrícolas e dos sistemas agrícolas”, relembrou Torero. “O petróleo Brent, porque é usado para bombeamento, embalagem, processamento e transporte. E o gás natural, porque é usado na produção de fertilizantes”, destacou. O local é responsável pelo fluxo marítimo de 20% da produção mundial de petróleo e do gás.

Enquanto isso, os danos causados pela Ucrânia à infraestrutura de combustíveis da Rússia restringem o mercado de exportação de diesel e gás natural, guerambos insumos essenciais na produção de alimentos.

Como os preços das commodities são globais, isso causa impacto em todo o mundo, mesmo que os países mais ricos tenham mais recursos financeiros para amortecer o impacto sobre os produtores.

“Isso está sendo sentido na Europa, nos EUA, no Brasil e na Ásia”, disse Torero. “As margens apertadas estão pressionando as decisões sobre o plantio”.

De fato, mesmo nos EUA, que são autossuficientes na maioria dos insumos essenciais, sem assistência federal os agricultores que cultivam as nove principais culturas poderiam perder US$ 32 bilhões (R$ 163,5 bilhões) em 2027, afirmou a American Farm Bureau Federation, grupo de lobby do setor.

Por acre, todas as culturas analisadas devem permanecer abaixo do ponto de equilíbrio em 2027, informou o grupo.

O plantio global de trigo e milho já foi reduzido nos primeiros três meses da guerra no Irã, e alguns produtores norte-americanos passaram a cultivar soja, pois essa cultura requer menor uso de fertilizantes.

A Austrália, um dos maiores exportadores de grãos do mundo, afirmou recentemente que a produção das safras de inverno deve cair 21%, em parte devido a um aumento significativo nos preços dos combustíveis e fertilizantes e à incerteza quanto à disponibilidade de insumos essenciais.

Enquanto isso, o fenômeno climático El Niño deste ano provavelmente será especialmente forte, alterando significativamente os padrões de chuva, o que provavelmente afetará os preços das commodities e poderá levar dezenas de milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda.

A monção na Índia já está atrasada e prevê-se que as chuvas fiquem abaixo da média neste mês, o que representa um golpe potencial para a produção de arroz e pode afetar os custos globais das commodities.



Fonte ==> Folha SP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *