Tecnologia na semente cresce, mas informação deve chegar ao setor – 25/08/2026 – Vaivém

Tecnologia na semente cresce, mas informação deve chegar ao setor - 25/08/2026 - Vaivém

A tecnologia embarcada em uma semente hoje é muito grande. São técnicas específicas, melhoramento, biotecnologia e até edição gênica chegando como solução. O importante, no entanto, é levar esse conhecimento a um número cada vez maior do setor e fazer com que o aproveitamento dessas tecnologias seja revertido em desenvolvimento.

Essa é a missão do Congresso Brasileiro de Sementes, que está em sua 23ª edição. As discussões envolvem toda a cadeia e buscam trazer tudo aquilo que está em evidência, sempre olhando para um público maior, afirma o presidente da Abrates (Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes), Fernando Augusto Henning.

Odete Liberal, com 99 anos, e fundadora da entidade há 56 anos, afirmou na abertura do congresso nesta terça-feira (25), em Foz do Iguaçu, que o cenário de hoje é bem diferente daquele do início da entidade. Um dos objetivos era unir pessoas e discutir os desafios do setor.

À época, se comunicavam inicialmente por telegramas, combinando o horário para que a conversa fosse continuada nas casas de telefone das cidades. Hoje, com os celulares, a comunicação é muito rápida.

Odete diz que eram tempos difíceis e que, com as facilidades de hoje, espera que todos conversem mais, se comuniquem e que saiam mais sábios das discussões que se desenrolam no congresso. Para Henning, a Abrates é uma associação que atende a todos os elos da cadeia, de produtor, pesquisador a estudante.

O congresso tem como objetivo levar todos os temas do setor à discussão, uma vez que a entidade congrega quatro comitês técnicos, referentes a sementes e espécies forrageiras, análise de sementes, patologia de sementes e sementes e espécies florestais. É uma cadeia que está muito bem estruturada, afirma.

Mas não é só tecnologia que será abordada neste congresso. Um dos assuntos mais espinhosos para o setor é o da propriedade intelectual. O mercado é extremamente demandante por tecnologia, por soluções, por novas cultivares, mas ainda busca “salvar” a semente e até revendê-la.

É necessária, também, uma evolução do próprio mercado, permitindo um retorno financeiro às empresas, para que elas continuem gerando esses ativos, segundo o presidente da entidade.

A Embrapa está na corrida pela edição gênica, desenvolvendo várias coisas. É uma tecnologia, no entanto, que ainda não está no mercado porque até agora não se organizou um sistema de valoração desse produto, diz o presidente da entidade.

“E aí, como é que vai haver uma retroalimentação do sistema de pesquisa sem uma injeção de dinheiro?, afirma.

O setor de sementes tem vários desafios, na avaliação do presidente da entidade, e as discussões giram em torno de pilares centrais como colher, secar, beneficiar e armazenar.

“Poucas universidades estão pesquisando isso, e se deixou muito na mão das empresas para vender a solução direta ao produtor. Vejo que há um lapso temporal de geração de informação que de fato possa chegar e ser útil”.

Henning cita o caso da chegada do bioinsumo no tratamento de sementes. Como está sendo o controle de qualidade para o registro da eficiência e atuação dele na fisiologia da semente, seja como um bioativador, um biofungicida ou um bionematicida.

Não está claro para o produtor onde ele tem de buscar informações, e essas interações chegam ao mercado sem de fato serem muito estudadas. É um problema que vamos discutir aqui no congresso, diz ele.

O congresso discute também a questão mercadológica, a precificação e como o sementeiro coloca o seu preço. Isso é importante porque há uma forte discussão sobre pagamento de royalties.

Na avaliação do presidente da Abrates, essa discussão é necessária para que o país não chegue ao estágio da Argentina, que está com o mercado completamente estagnado. “Precisamos cuidar para não caminharmos para isso”, afirma.

A questão da legislação também é importante. As atualizações normativas, leis, decretos, instruções normativas têm que seguir o ritmo de um mercado que é extremamente voraz por mudanças. Henning destaca ainda o desafio de como repassar a informação para o produtor e avaliar como ela está chegando.

Há muito ruído no meio do caminho e, muitas vezes, faltam informações básicas que podem interferir na cadeia de produção, na propriedade intelectual, nas normas para testar novos produtos, novas cultivares e novos bioinsumos.

A semente é a matéria-prima para produção. Ela carrega genética, anos de melhoramento genético essencial, biotecnologia e edição gênica e transgenia. “Ela evoluiu a passos largos e, quando eu uso semente de qualidade, eu entro também no mercado de baixo carbono, uma vez que a semente de qualidade é mais produtiva, oferece maior aproveitamento de adubo e de água por metro quadrado.”

O 23º congresso do setor, que está sendo realizado em Foz do Iguaçu, vai até sexta-feira (28).



Fonte ==> Folha SP

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